O ministro da Secretaria-geral da Presidência da República,
Gilberto Carvalho, recebeu na semana passada uma delegação da CGTB composta
pelo presidente da Central, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira); o secretário de
Finanças, Lindolfo Luiz dos Santos Neto; e o secretário Nacional dos
Aposentados, Oswaldo Lourenço.
Em uma conversa de 75 minutos, os dirigentes da CGTB afirmaram
que da maneira como a política econômica está sendo conduzida, as coisas vão
piorar no país. "Estamos pagando R$ 239 bilhões por ano a titulo de
reserva de juro, ou seja, economizando para pagar superávit primário aos
bancos, dando dinheiro a quem já tirou o couro do Brasil", disse Bira.
Além disso", falou Bira, "temos uma desoneração
absurda. Foram quase R$ 200 bilhões desonerados, principalmente para as
multinacionais. É preciso reverter essas desonerações para as necessidades do
povo investindo em serviços públicos".
De acordo com o presidente da CGTB, "o BNDES tem que fazer
um gesto mais profundo para resolvermos os problemas da mobilidade urbana.
Enquanto o número de passageiros aumentou 80% em 2012 ante 2004 à frota
diminuiu de 14,1 mil para 13,9 mil coletivos no período".
"Saúde e educação estão um caos no Brasil. Não tem médicos,
remédios, não tem macas, não tem leitos para as pessoas serem atendidas e as
pessoas estão morrendo no corredor dos hospitais e ao agendar uma consulta é
preciso aguardar de três meses até um ano. As escolas públicas estão
degradadas. Essa aprovação automática é um absurdo e quem está sendo
prejudicado é o povo", frisou Bira.
Para Bira, "nós não podemos dormir com esse barulho.
Enquanto o povo passa necessidade e o trabalhador fica igual à sardinha em lata
nos transportes públicos e os trabalhadores e suas famílias estão morrendo nos
hospitais, nós estamos enchendo os bancos de dinheiro. Não dá mais. Temos que
paralisar isso".
Para que leilão?
"Além disso, ainda querem pegar uma riqueza nossa, que é o
pré-sal, petróleo brasileiro em águas profundas, e entregar o maior campo de
petróleo do mundo, que é o Campo de Libra, com 8 a 12 bilhões de barris de
petróleo recuperáveis na Bacia de Campos, para fazer superávit primário. Nós
não precisamos fazer leilão nenhum no momento. Isso está errado",
enfatizou Bira.
Bira informou que no dia 15 de agosto, às 11 horas, na Comissão
de Assuntos Sociais (CAS) do Senado vai ocorrer um debate sobre o petróleo com
Fernando Siqueira, vice-presidente da Aepet; João Antonio de Morais, da FUP; e
Jorge Venancio, da CGTB.
Bira disse que "nossas sugestões são claras e concretas. A
Pauta das Centrais é: Jornada de 40h, sem redução de salários; Contra o PL
4.330, sobre Terceirização, Fim do fator previdenciário; 10% do PIB para a
Educação; 10% do Orçamento da União para a Saúde; Transporte público de
qualidade; Reajuste digno para os aposentados; Reforma Agrária e Fim dos
Leilões de Petróleo".
"E onde arrumar dinheiro para aplicar a pauta? Não é
entregando nosso petróleo para o cartel estrangeiro. Primeiro é preciso acabar
com o tamanho absurdo desse superávit primário. É necessário parar de enviar
esses recursos para os bancos e investir na saúde, educação e mobilidade urbana
do nosso povo. Se você pegar 30% do que é destinado ao superávit primário, já
resolve um monte de problema, porque serão R$ 90 bilhões para ajudar a
desenvolver o Brasil", falou Bira.
O presidente da CGTB defendeu que "o BNDES seja um banco
social e não um banco para dar dinheiro para multinacional, como foi no PAC das
Concessões, que entrega as obras de infraestrutura nas mãos das múltis sem o
menor cabedal. O BNDES tem que liberar dinheiro para a Nação brasileira e
disponilbilizar 20, 30, 40 bilhões de reais para ajudar nas obras de
infraestrutura, na mobilidade urbana, na saúde e educação".
"Ninguém cresce com taxa de juro alta, que só serve para
encher bolso de banqueiro. Essa política que está sendo feita no Brasil de
elevação dos juros aumenta as importações e, com isso, piora a situação das
empresas nacionais que estão indo para o buraco, prejudicando a Nação porque
quem puxa o desenvolvimento é a indústria nacional. Então é preciso reduzir os
juros, não aumentar, como o Banco Central está fazendo, e centralizar o
câmbio", disse Bira.
O ministro Gilberto
Carvalho disse que iria levar para a presidente Dilma as reivindicações.
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