Desde a crise financeira de 2008, que provocou uma parada súbita
nas linhas de crédito internacionais, a dívida externa brasileira aumentou 60%,
impulsionada pelo endividamento das empresas.
A
dívida das instituições financeiras no exterior praticamente dobrou entre
dezembro de 2008 e este ano. No mesmo período, as empresas não financeiras
aumentaram sua exposição em moeda estrangeira em 72%.Com isso, o endividamento
externo do país subiu do equivalente a 12% do PIB (Produto Interno Bruto) para
13,9% neste ano, após quatro anos de relativa estabilidade.O levantamento foi
feito pela equipe do banco Credit Suisse, que atribui parte desse aumento à
fixação de barreiras à entrada de capital externo, iniciada em 2010.Para tentar
refrear o fluxo de recursos estrangeiros que entrava no país e valorizava o
real em relação ao dólar, o governo impôs IOF de 6% na compra de títulos
públicos por estrangeiros.
"Quando
o governo decide impor IOF para operações com seus papéis, esses recursos
deixam de entrar, mas as empresas percebem que há demanda por títulos
brasileiros e vão para o mercado externo captar com taxas mais baixas",
afirma o economista-chefe do Credit Suisse, Nilson Teixeira.Diante de um
cenário de abundância de recursos e juros mais baixos no exterior, as empresas
aumentaram sua dívida lá fora.A questão é que, simultaneamente, elas passaram a
assumir riscos de prejuízo em caso de uma repentina desvalorização cambial.Em
2008, a alta do dólar em decorrência da crise bancária nos EUA, levou Aracruz e
Sadia a dificuldades. Ambas tinham operações com derivativos atrelados ao dólar
e acabaram vendidas.
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