quinta-feira, 30 de maio de 2013

CONTAS EXTERNAS TÊM DÉFICIT DE US$ 8,3 BILHÕES EM ABRIL, PIOR RESULTADO HISTÓRICO


RENATA AGOSTINI
DE BRASÍLIA

O déficit em transações correntes do país alcançou US$ 8,3 bilhões em abril, um recorde histórico, considerando a série iniciada em 1947. O resultado é 55% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, quando atingiu US$ 5,4 bilhões, informou o Banco Central nesta quarta-feira (22).

O montante é bem superior ao esperado pela autoridade monetária, que havia previsto déficit de US$ 6,4 bilhões para abril.No acumulado do ano, o saldo já chega a US$ 33,2 bilhões, quase o dobro do valor verificado no primeiro quadrimestre de 2012. Trata-se de outro recorde na comparação histórica.
Nos últimos 12 meses, o rombo é de US$ 70 bilhões, o equivalente a 3,04% do PIB (Produto Interno Bruto). É o maior nível desde julho de 2002, quando o déficit em transações correntes representou 3,2% do PIB.A previsão do BC para o ano é que o déficit fique em US$ 67 bilhões, um salto de 23% frente ao registrado em 2012.O saldo de transações correntes mostra as trocas externas do país. No cálculo, o BC considera dados da balança comercial, remessas de dividendos de empresas ao exterior, investimentos estrangeiros no país, aportes brasileiros em outros países e transferências unilaterais.
BALANÇA COMERCIAL
Segundo Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central, a principal razão para o déficit recorde das contas externas do país no ano está no fraco desempenho da balança comercial --que mede a diferença entre as importações e exportações do país.Entre janeiro e abril deste ano, a balança apresentou déficit de US$ 6,2 bilhões contra superávit de 3,3 bilhões registrado no mesmo período de 2012.A diferença de US$ 9,5 bilhões da conta comercial corresponde a 60% da discrepância entre o déficit de transações correntes do ano passado e o de 2013."Temos importações com crescimento de 8,8% no ano. Há o impacto da mudança do tempo de registro de importações de combustíveis, mas isso não é por si só a justificativa. A verdade é que estamos com mais importações em diversos segmentos. Ao mesmo tempo, as exportações mostram ainda uma retração de 4,3%", disse.Segundo Maciel, o arrefecimento do ritmo da economia global atinge as vendas externas do país. Já o crescimento da atividade econômica interna pressiona a demanda por importações. O restante do resultado negativo visto nas contas externas deve-se ao crescimento do volume de remessas de lucros e dividendos, que este ano aumentaram em US$ 3,6 bilhões frente ao mesmo período do ano passado, e à alta no déficit da conta de serviços, com incremento de US$ 2 bilhões no quadrimestre. Juntos, os três fatores equivalem a 95% da diferença entre o déficit registrado entre janeiro e abril deste ano e de 2012.
TURISMO
A balança de serviços ficou negativa em US$ 4 bilhões em abril, 25% acima do verificado no mesmo mês de 2012.Os gastos brasileiros no exterior foram destaque mais uma vez: somaram US$ 2,2 bilhões em abril, expansão de 22% frente o mesmo período de 2012 e um recorde histórico.Diante do resultado, a conta de viagens internacionais ficou negativa em US$ 1,5 bilhões no mês, após o desconto do ganho de US$ 580 milhões com gastos de estrangeiros no país.No quadrimestre, o deficit chegou a US$ 5,2 bilhões, o saldo negativo mais expressivo já verificado na série histórica.Segundo Maciel, em maio os gastos brasileiros no exterior seguirão em expansão."Há o crescimento da massa salarial, da renda do brasileiro. O câmbio não ajuda a explicar, pois está mais alto no período", afirmou.
INVESTIMENTO ESTRANGEIRO
O investimento direto estrangeiro no país (IED) em abril foi de US$ 5,7 bilhões, sendo US$ 4,3 bilhões referentes a ingressos para participação acionária em empresas brasileiras e US$ 1,4 bilhão em empréstimos.O desempenho de abril foi o melhor da série histórica e acima do previsto pelo BC, que estimava o ingresso de US$ 4,2 bilhões em IED no mês.No quadrimestre, o nível de investimentos estrangeiros ficou em US$ 19 bilhões, ainda abaixo do registrado em 2012, quando chegou a US$ 20,3 bilhões.Nos últimos 12 meses, os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros somaram US$ 64,1 bilhões, o equivalente a 2,79% do PIB. Já os investimentos brasileiros no exterior foram de US$ 400 milhões em abril.Para maio, a previsão do BC é que o país recebe US$ 2,8 bilhões em IED.
DÍVIDA EXTERNA
No mês passado, a dívida externa brasileira chegou a US$ 322,2 bilhões, um aumento de US$ 711 milhões frente a março deste ano.Já o estoque líquido de reservas internacionais do país teve acréscimo de US$ 1,7 bilhão em abril em relação ao mês anterior, chegando a US$ 378,7 bilhões.
PROJEÇÕES
O Banco Central manteve a projeção feita em março de déficit de US$ 67 bilhões em 2013. Nas contas da autoridade monetária, o país registrará superávit comercial de US$ 15 bilhões, saldo negativo de US$ 249 bilhões na conta de serviços e déficit de US4 41 bilhões na rubrica de rendas.Em 2012, o déficit de transações correntes ficou em US$ 54,2 bilhões. Para maio, a previsão é de déficit de US$ 5,2 bilhões.

Salário de quem tinha faculdade era mais de 3 vezes o dos demais trabalhadores em 2011

A diferença média de salário entre os brasileiros que têm diploma e os que não têm era de 219,4% em 2011, segundo dados do Cadastro Central de Empresas (Sempre), divulgados nesta sexta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE ). A pesquisa reúne 5,1 milhões de empresas e organizações formais ativas, públicas e privadas, em todo o país.Segundo a pesquisa, em 2011, 82,9% dos assalariados no país não possuíam curso superior, enquanto 17,1% tinham graduação. Trabalhadores com nível superior ganhavam, em média, R$ 4.135,06 por mês, enquanto que os demais tinham um salário médio de R$ 1.294,70.De acordo com Denise Guichard, gerente de análise do Sempre, o elevado percentual de empregados sem nível superior se deve, principalmente, ao fato de os serviços terem ampliado sua participação na atividade econômica brasileira. Esse tipo de atividade, em geral, demanda profissionais menos qualificados. "O comércio se manteve pelo segundo ano consecutivo como o segmento que mais gerou empregos formais no país. Esse tipo de atividade costuma contratar gente com menor nível escolaridade e por isso o percentual elevado nessa categoria", afirmou.Na comparação entre homens e mulheres, o levantamento constatou que, entre 2010 e 2011, o aumento do número de mulheres ocupadas foi superior ao de homens: 5,7% e 4,7%, respectivamente. Mas os homens ainda são maioria entre os trabalhadores: 57,7%. No quesito remuneração, os homens continuam ganhando mais, com salários 25,7%, em média, maiores que o das mulheres.
SALÁRIO
A pesquisa revelou também que o salário médio do brasileiro cresceu 8,7% em termos reais (acima da inflação) entre 2008 e 2011. No período foram gerados 6,8 milhões de novos vínculos empregatícios. No ano de 2011, o comércio foi o setor que mais absorveu mão de obra. O segmento foi responsável pela ocupação de 8,5 milhões de pessoas, 18,9% do total de empregados. A indústria de transformação veio em segundo lugar, dando ocupação para 8,2 milhões (18,2%), seguida pela administração pública, com 7,7 milhões (17%).No mesmo ano, os salário mais altos foram registrados no setor de eletricidade de gás, com média mensal de R$ 5.567,73, seguido pelo setor financeiro, de seguros e serviços relacionados, com média de R$ 4.213,65 por mês.Já as piores remunerações foram registradas no setor de alojamento e alimentação (R$ 858,92, em média por mês), seguido pelo de atividades administrativas (R$ 1.110,16, em média).Clique no mapa abaixo para ver os setores com melhor e pior remuneração em cada região do país. Para acessar o mapa, é preciso estar usando um dos seguintes navegadores: Chrome, Firefox, Opera ou Safári.
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COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Editoria de Arte/Folhapress



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