Falha no sistema de informática da
Assefaz causa erro na emissão de boletos do seguro de saúde e deixa
beneficiários no prejuízo Pelo menos 2,89 mil servidores
associados à Fundação Assistencial dos Servidores do Ministério da Fazenda
(Assefaz) receberam a cobrança do plano de saúde com um valor de mensalidade
até 100% mais caro. O boleto se refere ao mês de maio. Os que optaram por
debitar a quantia automaticamente da conta-corrente tiveram problemas para
honrar outros compromissos. Para evitar transtornos maiores, precisaram
recorrer à ajuda de parentes ou a empréstimos bancários para manter o orçamento
familiar em dia. Lotado na Fazenda há 38 anos, dos quais 30 são de
associado à Assefaz, Emanuel Cordeiro Cavalcanti, 58 anos, se assustou quando
conferiu o extrato bancário. Em vez de cobrar os habituais R$ 646, a operadora
havia debitado R$ 1.148. Além de pagar o plano de saúde, o servidor ainda tinha
o compromisso de cobrir R$ 900 de um cheque que havia dado como pagamento da
compra de um bem. “Corri para o banco e pedi ao meu gerente que sustasse esse
valor”, contou. Ao entrar em contato com a operadora e relatar o
fato, ele recebeu como resposta que deveria aguardar até que um novo boleto
fosse emitido. Entretanto, até ontem, não havia recebido o documento para
efetuar o pagamento. “É um verdadeiro transtorno. Se não tivesse corrido ao
banco, o cheque que dei não teria fundo. Isso é bastante desconfortável. Nunca
aconteceu em todos esses anos”, explicou. Situação parecida
aconteceu à também servidora da Fazenda Maria Helena Ribeiro, 55. O boleto
chegou com um valor de R$ 2,8 mil, em vez de R$ 2,1 mil. Para não ficar no
vermelho, ela precisou recorrer a um parente, que lhe emprestou a diferença.
Maria Helena contou que após registrar uma reclamação na operadora precisou
procurar um conselheiro da fundação para que o problema fosse resolvido.
“Disseram-me que eu receberia a resposta do atendimento por e-mail, mas nada
aconteceu.” Somente ontem, após muita insistência, ela foi
reembolsada. “Não tive um prejuízo maior, mas sei de colegas que passaram mal
porque têm um orçamento apertado. É uma situação bem desconfortável”, comentou
ela, que é associada à Assefaz há mais de 30 anos. A servidora da
Fazenda Cláudia Regina dos Santos, 57, pagou R$ 2.380, valor R$ 1.080 maior que
o usual. Assim como outros colegas, foi até a operadora registrar uma
reclamação e solicitar um novo boleto corrigido. Segundo ela, a demanda foi
encaminhada ao setor de cobrança, mas até agora não recebeu nenhum retorno da
fundação. “Fui ao banco e fiz o bloqueio do valor. O que aconteceu é muito
chato e me deixou nervosa. Nós precisamos do plano de saúde, e é sempre um
susto”, completou. Rombo O transtorno ocorrido pela
cobrança indevida feita aos beneficiários se acumula ao momento econômico
conturbado pelo qual a operadora passa. Em abril passado, o Correio
revelou que a Assefaz fechou 2012 com um rombo preocupante no caixa: um deficit
de R$ 37,2 milhões. O último prejuízo da entidade dos servidores da Fazenda, de
R$ 15,2 milhões, havia sido registrado em 2008. Procurada pela
reportagem, a Assefaz admitiu o envio de cobranças com valores errados aos
associados. A fundação explicou que, após a mudança do sistema de gestão
empresarial, feita em 1º de abril, foram registradas inconsistências na
transferência de dados da plataforma antiga para o novo programa. Entretanto,
ressaltou que o problema afetou 3% dos 96,3 mil beneficiários. O
plano de saúde também afirmou que, quando identificou o problema, as “medidas
necessárias para corrigir as inconsistências foram postas em curso”. Explicou
ainda que os valores incorretamente cobrados foram devolvidos no prazo de dois
a cinco dias úteis. A Assefaz esclareceu que os beneficiários que tiverem
problemas podem entrar em contato pelo endereço eletrônico cadastrocobranca@assefaz.org.br.
Antonio Temóteo - Correio
Braziliense - 15/05/2013 - Siqueira

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